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Condenado no escândalo do "Mensalão", Dirceu ironiza Flávio Bolsonaro após escândalo do Master

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 — o bom e velho Mensalão —, Dirceu foi apontado pelo tribunal como o "chefe da quadrilha" que comprava o apoio de deputados com mesadas nababescas

Por Redação Diário Paralelo2 min de leitura
Condenado no escândalo do "Mensalão", Dirceu ironiza Flávio Bolsonaro após escândalo do Master

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu declarou publicamente que as recentes gravações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) configuram quebra de decoro parlamentar. Em entrevista cedida à CNN Brasil, o petista cobrou explicações sobre repasses financeiros e ironizou declarações prévias do parlamentar a respeito do governo federal.

A manifestação ocorre após o veículo The Intercept Brasil revelar mensagens de texto e um áudio gravado. No arquivo, o senador cobra repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master afetado por liquidação do Banco Central, com o objetivo de financiar despesas de "Dark Horse", obra cinematográfica inspirada na biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro segundo apuração da CNN Brasil.

Dirceu baseou sua acusação de quebra de decoro no recuo do parlamentar, afirmando que Flávio tentou negar a existência das tratativas momentos antes de o conteúdo jornalístico vir a público. Documentos obtidos na investigação apontam que cerca de R$ 61 milhões foram transferidos por Vorcaro para viabilizar o projeto. O ex-ministro defendeu uma apuração rigorosa do destino final desses recursos pecuniários.

O petista também aproveitou o episódio para confrontar politicamente o senador. "Flávio não disse que Lula acabou? Agora eu pergunto: quem é que acabou?", ironizou Dirceu ao relembrar declarações de oposição feitas pelo congressista.

As declarações de José Dirceu sobre ética partidária e movimentações financeiras reinserem o ex-ministro no debate de moralidade pública nacional, cenário em que acumula um histórico amplamente documentado pelo Judiciário.

Dirceu foi o principal articulador político do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acabou apontado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos organizadores do Mensalão, esquema de desvio de recursos públicos e repasse de mesadas para a compra de apoio político no Congresso Nacional. Na Ação Penal 470, julgada em 2012, o tribunal o condenou formalmente a 10 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelo crime de corrupção ativa

pela TV Câmara

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Posteriormente, o político enfrentou novas sentenças restritivas de liberdade decorrentes da Operação Lava Jato, sob acusações de receber propinas vinculadas a contratos da Petrobras. Contudo, diferentemente do desfecho do Mensalão, os processos da Lava Jato que pesavam contra ele foram anulados pelo STF por vício processual ligado à parcialidade do juízo de primeira instância.

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