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Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher vira palco de conflito após deputada trans assumir presidência

Primeira mulher trans a ocupar o cargo, Hilton assumiu sob contestação de parlamentares da oposição, que passaram a dar centralidade ao tema inclusive nas redes sociais

Por Redação Diário Paralelo2 min de leitura
Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher vira palco de conflito após deputada trans assumir presidência

Tradicionalmente fora do centro das disputas políticas da Câmara, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher passou a concentrar um conflito com potencial de impacto eleitoral após a eleição da deputada Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência do colegiado. Parlamentares de partidos de esquerda avaliam que a controvérsia vem sendo explorada pela oposição em um momento importante do calendário político, com potencial de atingir o eleitorado feminino, considerado estratégico para a disputa presidencial.

Integrantes do campo governista, nessa esteira, têm adotado cautela diante da escalada do embate, evitando ampliar a controvérsia.

Primeira mulher trans a ocupar o cargo, Hilton assumiu sob contestação de parlamentares da oposição, que passaram a dar centralidade ao tema inclusive nas redes sociais. O principal ponto de divergência envolve questionamentos sobre o gênero da deputada. Parlamentares de direita defendem que ela não teria “legitimidade” para presidir a comissão, argumento rejeitado por aliados, que classificam as críticas como discriminatórias.

A avaliação sobre o impacto eleitoral ocorre em um cenário de oscilação na aprovação ao governo entre mulheres. Levantamento da Quaest divulgado em março mostrou aumento da desaprovação do governo nesse segmento, enquanto a aprovação recuou em relação aos meses anteriores.

Desde a escolha de Hilton para liderar o colegiado, marcada por votos em branco em protesto, deputadas da oposição intensificaram a contestação. Após a primeira sessão presidida pela deputada, o grupo anunciou a apresentação de recurso para tentar anular a eleição e uma representação no Conselho de Ética da Câmara.

Em coletiva no Salão Verde, parlamentares exibiram camisetas com frases como “não somos imbecis” e “não somos esgoto”, em referência a uma publicação de Hilton nas redes sociais após assumir o cargo.

Na ocasião, a deputada afirmou que não se importava com a opinião de “transfóbicos e imbecis” e disse que críticos poderiam “espernear” e “latir”. Durante a sessão, ela afirmou que a declaração se referia a ataques recebidos na internet, e não a parlamentares.

O embate também avançou para o campo institucional. O líder da oposição, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), apresentou projeto para restringir a presidência da comissão a deputadas cisgênero, excluindo a possibilidade de escolha de uma mulher trans.

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