Política
Candidato a presidente chama Lula de ladrão em rede nacional e desafia petista à processá-lo
Candidato do Missão aproveitou ausência dos líderes da disputa para produzir algumas das imagens de maior repercussão do primeiro debate presidencial de 2026

A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro debate presidencial de 2026 não significou que seu nome ficaria fora do centro das discussões. Pelo contrário. Sem o petista no estúdio, o candidato Renan Santos (Missão) transformou o púlpito vazio reservado ao presidente em parte de sua própria estratégia de campanha.
O episódio ocorreu durante a noite em que apenas Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) participaram do primeiro confronto televisionado da disputa presidencial. Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), embora convidados, não compareceram.
Antes mesmo do início do programa, Renan já havia deixado evidente qual seria sua estratégia. O candidato chegou à sede da Band levando fraldas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro e afirmou que os dois deveriam ter comparecido usando os objetos, classificando os adversários como “medrosos”.
Com liberdade para circular pelo cenário, Renan aproximou-se diversas vezes dos púlpitos destinados aos candidatos ausentes e concentrou boa parte de seus ataques principalmente em Lula e Flávio. Em um desses momentos, uma inscrição com a palavra “ladrão” foi colocada no espaço destinado ao presidente. O termo representa uma acusação política feita pelo candidato do Missão e não uma afirmação factual deste veículo.
Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, (21), mostrou Lula liderando a corrida presidencial com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 4%, Romeu Zema com 3% e Augusto Cury com 2%. O levantamento ouviu 2.058 pessoas em 127 municípios e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
Isso significa que Renan entrou no debate ocupando uma posição bastante diferente daquela dos dois principais adversários.
Lula e Flávio já possuem exposição nacional e concentram a maior parte do eleitorado neste momento. Renan, por outro lado, precisa ampliar rapidamente seu grau de conhecimento entre os brasileiros.
E foi justamente a ausência dos favoritos que abriu esse espaço.
Sem Lula e Flávio Bolsonaro para responderem diretamente aos ataques, Renan teve liberdade para construir imagens destinadas não apenas ao público que acompanhava a televisão, mas principalmente às redes sociais.
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