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Candidatas trans protestam contra uso de “deputado” em sistema do TSE

Mulheres trans que disputam as eleições de 2026 passaram a alterar capturas de tela do DivulgaCandContas e trocar “deputado” por “deputada”; até o momento, não há indicação de decisão do Tribunal para tratar candidaturas trans no masculino

Por Redação Diário Paralelo2 min de leitura
Candidatas trans protestam contra uso de “deputado” em sistema do TSE

Candidatas trans que disputam cargos nas eleições de 2026 estão usando as redes sociais para protestar contra a forma como suas candidaturas aparecem no sistema oficial de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, o DivulgaCandContas, mantido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nos registros disponibilizados pela Justiça Eleitoral, algumas candidatas identificadas com gênero feminino aparecem acompanhadas da expressão “candidato a Deputado Federal” ou “candidato a Deputado Estadual”. Como forma de protesto, candidatas passaram a fazer capturas de tela do sistema, alterar a palavra “deputado” para “deputada” e publicar as imagens corrigidas em seus próprios perfis.

A reclamação ganhou repercussão principalmente entre candidaturas de mulheres trans, que entendem que a nomenclatura masculina não corresponde à identidade de gênero registrada perante a própria Justiça Eleitoral.

Uma checagem realizada, entretanto, encontrou um elemento importante para compreender o episódio: não há, até o momento, evidência de que o TSE tenha tomado uma decisão específica determinando que mulheres trans sejam classificadas como “deputado”.

Ao contrário, os indícios apontam para uma nomenclatura padronizada utilizada pelo sistema.

Mulher cis também aparece como “candidato a Deputado Federal”

Um dos exemplos que ajudam a esclarecer o caso está dentro do próprio DivulgaCandContas.

A página oficial de Camila Jara, candidata mulher e registrada com gênero feminino, também utiliza em seus resultados a formulação “candidato a Deputado Federal”. Ou seja, o emprego do masculino não aparece exclusivamente nos registros das mulheres trans.

Situação semelhante aparece no registro de Léo Áquilla, candidata trans por São Paulo. O sistema informa “Gênero: Feminino”, ao mesmo tempo em que apresenta a candidatura ao cargo com a nomenclatura “Deputado Estadual”.

Documentos das eleições de 2026 disponíveis no próprio sistema também revelam o funcionamento dessa padronização. Em uma ata de convenção registrada na plataforma, mulheres identificadas expressamente como de gênero feminino — entre elas Ivana Toledo, Dra. Francisca e Marina JHC — aparecem dentro da categoria geral de candidaturas ao cargo de “Deputado Federal”. O mesmo ocorre com candidatas mulheres incluídas sob a denominação geral “Deputado Estadual”.

Isso reforça a hipótese de que a palavra “Deputado” esteja sendo usada como nome fixo do cargo dentro de determinados campos ou templates do sistema, sem flexão automática conforme o gênero da pessoa candidata.

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