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Às vésperas de ano eleitoral, Jerônimo implora a prefeitos da oposição para tentar conter desgaste político

Se em 2023 o petista assumiu o Palácio de Ondina exibindo segurança, cobrando lealdade e priorizando prefeitos que o apoiaram em 2022, agora o cenário é outro: Jerônimo tem buscado, quase em tom de súplica, abrir diálogo com gestores municipais que até então eram ignorados pelo governo baiano

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Às vésperas de ano eleitoral, Jerônimo implora a prefeitos da oposição para tentar conter desgaste político

A poucos meses do início oficial do ano eleitoral, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) demonstra crescente preocupação com sua situação política e tem adotado uma postura bem diferente daquela vista no início de sua gestão. Se em 2023 o petista assumiu o Palácio de Ondina exibindo segurança, cobrando lealdade e priorizando prefeitos que o apoiaram em 2022, agora o cenário é outro: Jerônimo tem buscado, quase em tom de súplica, abrir diálogo com gestores municipais que até então eram ignorados pelo governo baiano.

O movimento ocorre em meio ao avanço da rejeição do governador e ao enfraquecimento de seu projeto de reeleição. Jerônimo, que nos primeiros meses de mandato chegou a alfinetar publicamente prefeitos de oposição — entre eles o de Jequié, Zé Cocá — hoje tenta reverter desgastes e costurar pontes com os mesmos gestores que enfrentou politicamente. Com Cocá, o assédio político se intensificou desde o ano passado, numa tentativa de trazer o prefeito para mais perto do governo estadual.

Mais recentemente, o governador buscou intermediários para tentar abrir uma conversa com Valderico Júnior (UB), prefeito de Ilhéus e aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto. A resposta do gestor ilheense veio com recado direto: está disposto ao diálogo, mas somente após o governador cumprir suas obrigações com a cidade. Valderico se refere a obras paradas há pelo menos dois anos, que dependem de ações do governo estadual para avançar.

Nos bastidores, a estratégia do governador é clara: reduzir tensões, mostrar disposição ao diálogo e tentar diminuir a resistência de prefeitos que hoje orbitam fora da base governista. Em declarações recentes, Jerônimo tem insistido na narrativa de que o momento é de “respeito” e “maturidade política”, tentando minimizar conflitos do passado. “Quando a gente ganha as eleições, assume compromissos. [...] A oposição não tem que baixar a guarda, mas tem que agir com respeito. A política é isso. 2024 ficou para trás no resultado das urnas”, disse o petista nesta segunda-feira (8), durante agenda em Candeias — outro município onde tenta conquistar apoio.

A guinada no discurso evidencia o desconforto no núcleo político do governo. Com prefeitos fortalecidos após as eleições municipais e articulações intensas para 2026, Jerônimo tenta reorganizar o tabuleiro num momento decisivo. Sua postura mais humilde, contrastando com a rigidez inicial da gestão, reflete a pressão crescente e o medo real de isolamento político.

Resta saber se o apelo tardio será suficiente para reverter a rejeição e reconstruir relações que foram negligenciadas ao longo dos últimos dois anos. O tempo, agora, é seu maior adversário.

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