Política
Às vésperas de ano eleitoral, Jerônimo implora a prefeitos da oposição para tentar conter desgaste político
Se em 2023 o petista assumiu o Palácio de Ondina exibindo segurança, cobrando lealdade e priorizando prefeitos que o apoiaram em 2022, agora o cenário é outro: Jerônimo tem buscado, quase em tom de súplica, abrir diálogo com gestores municipais que até então eram ignorados pelo governo baiano

A poucos meses do início oficial do ano eleitoral, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) demonstra crescente preocupação com sua situação política e tem adotado uma postura bem diferente daquela vista no início de sua gestão. Se em 2023 o petista assumiu o Palácio de Ondina exibindo segurança, cobrando lealdade e priorizando prefeitos que o apoiaram em 2022, agora o cenário é outro: Jerônimo tem buscado, quase em tom de súplica, abrir diálogo com gestores municipais que até então eram ignorados pelo governo baiano.
O movimento ocorre em meio ao avanço da rejeição do governador e ao enfraquecimento de seu projeto de reeleição. Jerônimo, que nos primeiros meses de mandato chegou a alfinetar publicamente prefeitos de oposição — entre eles o de Jequié, Zé Cocá — hoje tenta reverter desgastes e costurar pontes com os mesmos gestores que enfrentou politicamente. Com Cocá, o assédio político se intensificou desde o ano passado, numa tentativa de trazer o prefeito para mais perto do governo estadual.
Mais recentemente, o governador buscou intermediários para tentar abrir uma conversa com Valderico Júnior (UB), prefeito de Ilhéus e aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto. A resposta do gestor ilheense veio com recado direto: está disposto ao diálogo, mas somente após o governador cumprir suas obrigações com a cidade. Valderico se refere a obras paradas há pelo menos dois anos, que dependem de ações do governo estadual para avançar.
Nos bastidores, a estratégia do governador é clara: reduzir tensões, mostrar disposição ao diálogo e tentar diminuir a resistência de prefeitos que hoje orbitam fora da base governista. Em declarações recentes, Jerônimo tem insistido na narrativa de que o momento é de “respeito” e “maturidade política”, tentando minimizar conflitos do passado. “Quando a gente ganha as eleições, assume compromissos. [...] A oposição não tem que baixar a guarda, mas tem que agir com respeito. A política é isso. 2024 ficou para trás no resultado das urnas”, disse o petista nesta segunda-feira (8), durante agenda em Candeias — outro município onde tenta conquistar apoio.
A guinada no discurso evidencia o desconforto no núcleo político do governo. Com prefeitos fortalecidos após as eleições municipais e articulações intensas para 2026, Jerônimo tenta reorganizar o tabuleiro num momento decisivo. Sua postura mais humilde, contrastando com a rigidez inicial da gestão, reflete a pressão crescente e o medo real de isolamento político.
Resta saber se o apelo tardio será suficiente para reverter a rejeição e reconstruir relações que foram negligenciadas ao longo dos últimos dois anos. O tempo, agora, é seu maior adversário.
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