Política
Às vésperas da eleição, Lula sela acordo com Motta e Alcolumbre para acelerar fim da 6x1 e da “taxa das blusinhas”
Encontro no Palácio da Alvorada destrava pautas de forte apelo popular e marca reaproximação do presidente com os chefes do Congresso; articulação também envolve interesses políticos para 2027

A pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Lula conseguiu um importante acerto político com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para acelerar no Congresso uma série de propostas consideradas estratégicas pelo governo.
O acordo foi construído durante um almoço realizado nessa quarta-feira (26), no Palácio da Alvorada, e estabelece como prioridades o fim da escala de trabalho 6x1, a medida que elimina a chamada “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança Pública, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o programa de incentivos para instalação de data centers no Brasil.
As matérias deverão receber tratamento prioritário durante o esforço concentrado do Congresso previsto entre os dias 1º e 4 de setembro, último grande período de votações antes das eleições de outubro. A agenda foi confirmada oficialmente pela Câmara dos Deputados.
Ao final do encontro, Lula apareceu ao lado de Motta e Alcolumbre e resumiu o novo momento da relação entre os três com uma brincadeira carregada de simbolismo político.
“Juntos para sempre”, disse o presidente ao posar para fotografias.
Entre as matérias que exigem maior rapidez está a Medida Provisória 1.357/2026, que possibilitou zerar temporariamente o Imposto de Importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas dentro das regras do programa Remessa Conforme.
A chamada “taxa das blusinhas” havia se tornado uma medida impopular, especialmente entre consumidores que utilizam plataformas internacionais de comércio eletrônico.
A MP precisa ser aprovada pelo Congresso para que a mudança seja mantida. Sem votação, a medida perde validade em setembro e a cobrança poderá retornar.
Hugo Motta informou que indicará o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para presidir a comissão mista responsável pela análise do texto. Já Alcolumbre assumiu publicamente o compromisso de fazer a matéria passar pela comissão e pelos plenários da Câmara e do Senado durante o esforço concentrado.
Apesar do apelo popular da redução do imposto, a proposta encontra resistência no setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que a retirada da tributação pode prejudicar fabricantes brasileiros e estima risco para milhares de empregos diante do aumento da concorrência com produtos importados.
Outra bandeira que Lula pretende levar para a reta final de sua campanha é o fim da escala 6x1.
A PEC 221/2019 já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e reduz a jornada máxima para 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, garantindo dois dias de descanso e sem redução salarial.
Depois de permanecer parada, a proposta finalmente chegou à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, encaminhou o texto à comissão, e o senador Omar Aziz (PSD-AM) foi escolhido relator.
A votação, entretanto, ainda não está garantida.
Aziz pode modificar o texto aprovado pelos deputados. Caso isso aconteça, a PEC terá de retornar à Câmara, tornando praticamente impossível sua conclusão antes das eleições. A oposição também articula mudanças na proposta.
Por isso, para Lula, mesmo o avanço da matéria já possui valor político. O presidente poderá apresentar durante a campanha a movimentação do Congresso como resultado de sua articulação com Motta e Alcolumbre.
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