Diário Paralelo — Diariamente com Você!

Política

Apuração 'desmancha' versão de Fernando Haddad sobre suposta perseguição policial sofrida por seu motorista

Petista levou episódio a público dias antes do início oficial da campanha eleitoral; governo paulista afirma que análise de cerca de 70 câmeras e GPS das viaturas não encontrou perseguição ou abordagem

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Apuração 'desmancha' versão de Fernando Haddad sobre suposta perseguição policial sofrida por seu motorista

Uma acusação feita pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo de São Paulo, ganhou um novo e delicado capítulo em plena corrida eleitoral. Depois de Haddad tornar público o relato de que seu motorista teria sido perseguido de maneira ostensiva por policiais militares, a apuração conduzida pelas autoridades paulistas afirma, até o momento, não ter encontrado evidências que confirmem a versão apresentada.

O episódio teria ocorrido na noite de 11 de agosto, depois que o motorista deixou Haddad em sua residência, na zona sul de São Paulo. No dia seguinte, o petista falou publicamente sobre o caso e afirmou que a conduta da Polícia Militar teria fugido do padrão. Segundo a versão apresentada, uma viatura teria emparelhado com o veículo, se aproximado de seu para-choque e acompanhado o motorista por parte do percurso.

Haddad afirmou na ocasião que preferia acreditar na possibilidade de uma confusão, mas considerou necessário comunicar o episódio e pedir explicações ao governo estadual. Disse ainda que o motorista havia ficado abalado e relatado a presença de policiais armados com fuzis.

A investigação, entretanto, passou a colocar dúvidas importantes sobre a narrativa.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, dezenas de câmeras existentes ao longo do trajeto informado pelo motorista foram verificadas. A primeira análise envolveu aproximadamente 40 equipamentos. Posteriormente, o número chegou a cerca de 70 câmeras, juntamente com informações obtidas pelo sistema de geolocalização das viaturas policiais.

De acordo com a SSP, até agora não foram encontrados registros de abordagem, perseguição ou interação dos policiais com Haddad, seu motorista ou integrantes de sua equipe.

Uma das gravações divulgadas mostra o veículo do motorista parado diante de um hotel, na Vila Mariana. Uma viatura passa lentamente pelo automóvel e segue seu caminho. Nas imagens apresentadas, os policiais não desembarcam e não há registro de contato com o motorista. Poucos minutos depois, o próprio veículo deixa o local.

Nesse domingo (16), durante o início de sua campanha pela reeleição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) elevou o tom ao comentar os resultados preliminares da apuração.

Segundo Tarcísio, os dados de GPS demonstrariam que as viaturas apenas cruzaram com o veículo e seguiram seus respectivos trajetos. O governador afirmou que as evidências reunidas até agora apontariam para uma “falsa comunicação” e disse que o episódio deverá ser investigado pela Polícia Civil, com o motorista sendo intimado a prestar depoimento.

A afirmação de Tarcísio, entretanto, ainda não representa uma conclusão definitiva da investigação. Até o momento, não há decisão oficial estabelecendo que Haddad ou seu motorista tenham deliberadamente inventado o episódio.

Matérias relacionadas