Política
Apuração 'desmancha' versão de Fernando Haddad sobre suposta perseguição policial sofrida por seu motorista
Petista levou episódio a público dias antes do início oficial da campanha eleitoral; governo paulista afirma que análise de cerca de 70 câmeras e GPS das viaturas não encontrou perseguição ou abordagem

Uma acusação feita pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo de São Paulo, ganhou um novo e delicado capítulo em plena corrida eleitoral. Depois de Haddad tornar público o relato de que seu motorista teria sido perseguido de maneira ostensiva por policiais militares, a apuração conduzida pelas autoridades paulistas afirma, até o momento, não ter encontrado evidências que confirmem a versão apresentada.
O episódio teria ocorrido na noite de 11 de agosto, depois que o motorista deixou Haddad em sua residência, na zona sul de São Paulo. No dia seguinte, o petista falou publicamente sobre o caso e afirmou que a conduta da Polícia Militar teria fugido do padrão. Segundo a versão apresentada, uma viatura teria emparelhado com o veículo, se aproximado de seu para-choque e acompanhado o motorista por parte do percurso.
Haddad afirmou na ocasião que preferia acreditar na possibilidade de uma confusão, mas considerou necessário comunicar o episódio e pedir explicações ao governo estadual. Disse ainda que o motorista havia ficado abalado e relatado a presença de policiais armados com fuzis.
A investigação, entretanto, passou a colocar dúvidas importantes sobre a narrativa.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, dezenas de câmeras existentes ao longo do trajeto informado pelo motorista foram verificadas. A primeira análise envolveu aproximadamente 40 equipamentos. Posteriormente, o número chegou a cerca de 70 câmeras, juntamente com informações obtidas pelo sistema de geolocalização das viaturas policiais.
De acordo com a SSP, até agora não foram encontrados registros de abordagem, perseguição ou interação dos policiais com Haddad, seu motorista ou integrantes de sua equipe.
Uma das gravações divulgadas mostra o veículo do motorista parado diante de um hotel, na Vila Mariana. Uma viatura passa lentamente pelo automóvel e segue seu caminho. Nas imagens apresentadas, os policiais não desembarcam e não há registro de contato com o motorista. Poucos minutos depois, o próprio veículo deixa o local.
Nesse domingo (16), durante o início de sua campanha pela reeleição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) elevou o tom ao comentar os resultados preliminares da apuração.
Segundo Tarcísio, os dados de GPS demonstrariam que as viaturas apenas cruzaram com o veículo e seguiram seus respectivos trajetos. O governador afirmou que as evidências reunidas até agora apontariam para uma “falsa comunicação” e disse que o episódio deverá ser investigado pela Polícia Civil, com o motorista sendo intimado a prestar depoimento.
A afirmação de Tarcísio, entretanto, ainda não representa uma conclusão definitiva da investigação. Até o momento, não há decisão oficial estabelecendo que Haddad ou seu motorista tenham deliberadamente inventado o episódio.
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