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Ao celebrar voto Tarcísio/Lula, Haddad dá sinais de conformação com derrota em SP e expõe fragilidade de sua candidatura

Mesmo perdendo eleitores para o atual governador, candidato do PT diz ver “motivo de celebração” quando paulistas escolhem Lula para presidente; declaração chama atenção diante da ampla vantagem de Tarcísio nas pesquisas

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Ao celebrar voto Tarcísio/Lula, Haddad dá sinais de conformação com derrota em SP e expõe fragilidade de sua candidatura

A declaração de Fernando Haddad (PT) sobre o chamado “voto TarLula” chamou atenção não apenas pela tentativa do candidato de explicar o comportamento do eleitor paulista, mas pelo que ela pode revelar sobre a situação de sua própria campanha ao governo de São Paulo.

Nessa sexta-feira (28), Haddad afirmou considerar “motivo de celebração” o fato de eleitores que pretendem votar no petista para presidente, ao mesmo tempo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) para governador.

Na prática, são eleitores que rejeitam o próprio Haddad na disputa estadual.

Ainda assim, o ex-ministro demonstrou satisfação com o fenômeno porque, segundo sua interpretação, essas pessoas estariam escolhendo Lula como alternativa a Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.

A fala permite uma leitura política incômoda para a candidatura do ex-ministro: Haddad parece colocar a permanência de Lula no Palácio do Planalto acima da própria tentativa de chegar ao Palácio dos Bandeirantes.

Mais do que isso, ao comemorar um comportamento eleitoral que beneficia diretamente seu principal adversário estadual, o candidato petista passa a impressão de já enxergar como aceitável uma eventual derrota para Tarcísio, desde que parte desses mesmos eleitores ajude Lula a derrotar Flávio Bolsonaro.

Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que 11% dos eleitores paulistas que dizem votar em Lula para presidente também pretendem votar em Tarcísio para governador.

O fenômeno recebeu o apelido de “TarLula”.

Questionado sobre o assunto, Haddad tentou inverter a interpretação. Segundo ele, não se trataria propriamente de um eleitor interessado em Tarcísio, mas de alguém que estaria procurando Lula para evitar Flávio Bolsonaro.

O ponto mais revelador veio logo depois.

Mesmo reconhecendo que esse comportamento significa menos votos para sua candidatura ao governo paulista, Haddad afirmou enxergar a situação positivamente e declarou que a procura do eleitor por uma alternativa a Flávio seria “motivo de celebração” para ele.

Politicamente, a declaração é incomum.

Um candidato ao governo estadual está celebrando um movimento eleitoral no qual o eleitor escolhe justamente seu principal adversário — porque esse mesmo cidadão permanece dentro do campo eleitoral de seu partido na disputa presidencial.

A mensagem transmitida é quase inevitável: entre derrotar Tarcísio em São Paulo e impedir uma vitória de Flávio Bolsonaro no Brasil, Haddad demonstra estar muito mais preocupado com a segunda disputa.

Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, Tarcísio aparece com 40% das intenções de voto, contra apenas 27% de Haddad — uma vantagem de 13 pontos percentuais.

Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, a distância aumenta: Tarcísio registra 47%, enquanto Haddad fica com 30%. O levantamento ouviu 1.800 eleitores entre os dias 21 e 24 de agosto e possui margem de erro de dois pontos percentuais.

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