Diário Paralelo — Diariamente com Você!

Política

Além de não cumprir promessas de campanha para saúde e segurança, Jerônimo piorou situação dos setores na Bahia

À época, o discurso inflamado do petista, aliado ao prestígio de Lula e ao apoio da maioria dos prefeitos baianos, criava a expectativa de que a gestão iniciada em 2023 marcaria uma guinada nos dois setores mais sensíveis para a população: saúde e segurança pública

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Além de não cumprir promessas de campanha para saúde e segurança, Jerônimo piorou situação dos setores na Bahia

Durante a campanha eleitoral de 2022, o então candidato ao governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), fez duas promessas centrais ao eleitorado: zerar a fila da regulação da saúde e combater de forma contundente o crime organizado no estado. À época, o discurso inflamado do petista, aliado ao prestígio de Lula e ao apoio da maioria dos prefeitos baianos, criava a expectativa de que a gestão iniciada em 2023 marcaria uma guinada nos dois setores mais sensíveis para a população: saúde e segurança pública.

No entanto, pouco mais de três anos após assumir o comando do Palácio de Ondina, o cenário é justamente o oposto do prometido. Os problemas não apenas persistem — eles se agravaram.

Promessa de zerar a fila da regulação ficou no discurso

Em agosto de 2022, durante entrevista a uma emissora de rádio de Serra Dourada, Jerônimo assumiu um compromisso direto com a população baiana:

“Irei fortalecer o sistema de Saúde da Bahia. Eu me comprometo a zerar a fila da regulação, este é um compromisso meu.”

Hoje, a realidade é distante da promessa. A fila da regulação aumentou, com pacientes aguardando dias — e, em diversos casos, semanas — por vagas em hospitais, UTIs e procedimentos de média e alta complexidade. Hospitais lotados, superlotação em UPAs e a falta de leitos continuam na rotina dos baianos, especialmente no interior.

A crise ficou ainda mais evidente após a declaração do próprio governador, na última sexta-feira (14), durante visita a Santo Antônio de Jesus. Em tom polêmico, Jerônimo afirmou que teria orientado à secretária de Saúde do estado a manter pacientes nos corredores dos hospitais, além de responsabilizar prefeitos pela alta demanda nas unidades estaduais.

A fala gerou forte repercussão negativa — e se chocou frontalmente com o compromisso assumido em 2022.

Segurança pública: promessas de combate ao crime organizado não se concretizaram

Outra promessa feita por Jerônimo durante a campanha foi o fortalecimento das forças de segurança e o enfrentamento ao crime organizado. O petista declarou que, com apoio de Lula e parceria com os municípios, a Bahia avançaria na redução da violência.

O que se viu, porém, foi um agravamento da crise na segurança pública. A presença de facções criminosas em diversos territórios se ampliou, episódios de extrema violência se tornaram frequentes e a população convive, diariamente, com novos registros de confrontos, chacinas, invasões de comunidades e assassinatos.

Em várias regiões do estado — inclusive no interior — prefeitos, comerciantes e moradores relatam ter perdido o controle sobre a criminalidade, que atinge níveis alarmantes.

Promessas não cumpridas e contradições públicas

As declarações recentes de Jerônimo, sobretudo sobre a área da saúde, expõem uma contradição direta com aquilo que foi prometido em 2022. O discurso da campanha, baseado em avanços estruturais, não se materializou em políticas que mudassem a realidade da população.

Pior: a situação deteriorou.

A Bahia segue com uma das maiores filas de regulação do país e permanece entre os estados com índices mais altos de violência. Enquanto isso, o governo atribui responsabilidades a prefeitos e à falta de colaboração municipal, contrastando com a promessa inicial de parceria e integração.

A frustração do eleitorado

Com promessas descumpridas e indicadores em queda, o governo Jerônimo enfrenta desgaste crescente. Para muitos baianos, a expectativa criada em 2022 — a de um estado mais seguro e com um sistema de saúde mais eficiente — transformou-se em frustração.

Matérias relacionadas