Uma nova tensão interna expôs divergências públicas dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e colocou o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, em rota de colisão política com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, um dos principais nomes do núcleo duro do governo Lula. O embate gira em torno da condução do senador Jaques Wagner (PT-BA) no acordo firmado com a oposição para a aprovação do Projeto de Lei da Dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
A controvérsia ganhou força na quarta-feira (17), quando Gleisi Hoffmann negou publicamente a existência de qualquer negociação ou acordo envolvendo o governo federal em torno do projeto. A declaração veio após críticas de parlamentares da base aliada e da oposição sobre a tramitação da matéria, que trata da dosimetria das penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
Logo após a votação na CCJ, Jaques Wagner reagiu às acusações feitas pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que afirmou que o governo estaria oferecendo um “presente de Natal” aos “golpistas que atentaram contra a democracia”. Em resposta, o senador petista declarou que “não se envergonhava do que havia feito”, sustentando a legalidade e a legitimidade de sua atuação à frente da liderança do governo no Senado.
A posição de Wagner, no entanto, foi duramente criticada por Gleisi Hoffmann. A ministra classificou a condução do senador como um “erro” e considerou a situação “lamentável”, afirmando que a iniciativa contrariou a orientação oficial do governo federal. A fala evidenciou um racha público dentro do PT e gerou desconforto entre lideranças da legenda.
Diante do desgaste, o governador Jerônimo Rodrigues saiu em defesa do correligionário. Em conversa com a imprensa baiana nesta sexta-feira (19), o chefe do Executivo estadual afirmou que “ninguém pode pôr em xeque” a palavra e o trabalho de Jaques Wagner, ressaltando a trajetória do senador e sua atuação como líder do governo no Senado Federal.
A manifestação de Jerônimo foi interpretada nos bastidores como um movimento de enfrentamento direto à posição da ministra Gleisi Hoffmann, ampliando o ruído interno no PT em um momento de sensibilidade política para o governo Lula. O episódio expõe disputas de narrativa, divergências estratégicas e dificuldades de alinhamento dentro da própria base governista, especialmente em temas considerados centrais para a agenda institucional e para a defesa da democracia.

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