O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a movimentar as redes sociais na manhã desta quinta-feira (20) ao afirmar que a expressão popular “meia tijela” tem origem racista e “precisa desaparecer do vocabulário”. A declaração, feita em alusão ao Dia da Consciência Negra, provocou imediatamente uma onda de reações, críticas e questionamentos.
Em sua publicação, o petista afirmou que o termo teria surgido durante o período escravocrata, quando pessoas escravizadas eram supostamente punidas com apenas metade da tigela de comida — daí “meia tijela”. Jerônimo classificou a expressão como ofensiva e defendeu que, por respeito à história e às vítimas da escravidão, ela não deve mais ser usada.
A fala rapidamente se espalhou pelas redes e dividiu opiniões. Enquanto parte dos internautas apoiou a iniciativa, destacando a importância de combater expressões de origem racista ainda presentes no cotidiano, outra parcela levantou dúvidas sobre a precisão histórica da explicação e acusou o governador de promover um discurso moralista desconectado de prioridades mais urgentes da população.
Críticos também aproveitaram a publicação para apontar contradições dentro da própria gestão estadual. Jerônimo Rodrigues, que reforça publicamente pautas identitárias, é casado com uma mulher branca, tem um filho branco e mantém no primeiro escalão do governo apenas um número reduzido de pessoas negras — pouco mais de duas, segundo apontam ativistas e opositores. Para eles, falta coerência entre o discurso e a prática administrativa.
Especialistas em linguagem e história lembram que várias expressões populares possuem origem incerta, o que reacende a discussão sobre o papel de governantes em difundir informações sensíveis sem contextualização adequada. A polêmica leva, mais uma vez, ao centro do debate a relação entre racismo estrutural, comunicação política e as escolhas de agenda de um governo.
A declaração ocorre justamente no Dia da Consciência Negra, data marcada por reflexões sobre racismo, igualdade e valorização da cultura afro-brasileira. Em meio ao simbolismo da data, a fala de Jerônimo acabou ampliando o debate — mas também reavivando críticas sobre prioridades administrativas, coerência do discurso e representatividade dentro da própria estrutura de governo.

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