O clima nos bastidores do Partido dos Trabalhadores na Bahia ficou mais tenso após as celebrações dos 46 anos da sigla, realizadas no último final de semana. O governador Jerônimo Rodrigues aguardava uma declaração pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o confirmasse como único nome do partido com aval para disputar a reeleição ao Palácio de Ondina. A sinalização, no entanto, não veio.
De acordo com interlocutores próximos ao governo estadual, o que se viu após a passagem de Lula pela Bahia foi um Jerônimo mais reservado, visivelmente abatido e preocupado com a possibilidade de perder espaço dentro do próprio grupo político. A apreensão se intensificou diante da crescente especulação de que o ministro da Casa Civil, Rui Costa — ex-governador do estado — seria o nome preferido do presidente para encabeçar a disputa estadual.
Durante entrevista concedida à TV Aratu, Lula sua posição nos eventos e evitou confirmar apoio explícito à candidatura de Jerônimo, além, ainda de fez uma observação que repercutiu nos meios políticos. O presidente insinuou que o governador precisava ter mais cuidado “com aquilo que fala e acaba não cumprindo”, fala interpretada por aliados como um recado direto à condução política e administrativa do chefe do Executivo baiano.
Sem o gesto público de apoio esperado, o anúncio da chapa majoritária do PT na Bahia foi adiado pela terceira vez. Inicialmente previsto para o fim de dezembro de 2025, o calendário sofreu sucessivos adiamentos: passou para janeiro, depois fevereiro, em seguida março e, agora, abril. A indefinição evidencia o cenário de instabilidade interna e a necessidade de recalibrar a estratégia eleitoral.
Nos bastidores, a avaliação é de que Jerônimo enfrenta desgaste político, baixa popularidade e desempenho aquém do esperado nas pesquisas de intenção de voto. Esse contexto tem alimentado debates internos sobre a viabilidade eleitoral do atual governador e reforçado a tese de setores do partido que defendem a construção de um nome com maior capacidade de competitividade.
Publicamente, o PT mantém o discurso de unidade e afirma que o processo de definição da chapa seguirá critérios técnicos e políticos. Nos corredores do poder, porém, a disputa interna já é tratada como um dos principais desafios da legenda na Bahia para o próximo ciclo eleitoral.

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