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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2025

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EUA podem rotular facções do Brasil como terroristas após pressão dos Bolsonaro

A proposta, discutida nas últimas semanas dentro do Departamento de Estado, acendeu o alerta em Brasília. A avaliação de integrantes do governo é que os EUA podem tentar interferir no processo eleitoral brasileiro para favorecer mais um Bolsonaro

EUA podem rotular facções do Brasil como terroristas após pressão dos Bolsonaro
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O governo Trump avalia classificar as duas maiores facções do crime organizado no Brasil como grupos terroristas, após lobby de dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro — preso e aliado de Donald Trump —, segundo autoridades brasileiras e norte-americanas.

A segurança pública virou uma das principais preocupações do eleitor brasileiro, e uma eventual classificação poderia ampliar a visibilidade do tema e beneficiar politicamente um dos filhos de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro.

Ele disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda, nas eleições nacionais de outubro e acusa Lula de ser leniente no combate ao crime.

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A proposta, discutida nas últimas semanas dentro do Departamento de Estado, acendeu o alerta em Brasília. A avaliação de integrantes do governo é que os EUA podem tentar interferir no processo eleitoral brasileiro para favorecer mais um Bolsonaro.

No ano passado, Trump recorreu a tarifas e sanções na tentativa de evitar que Jair Bolsonaro fosse preso por acusação de comandar uma tentativa de golpe após perder a eleição de 2022 para Lula. O ex-presidente acabou condenado e cumpre pena.

A administração Trump já classificou mais de uma dezena de gangues latino-americanas como organizações terroristas, dentro de uma estratégia para atingir grupos criminosos que, segundo Washington, ameaçam a segurança dos EUA — incluindo grandes cartéis mexicanos de drogas. Na prática, a designação permite impor restrições financeiras às organizações e a pessoas ligadas a elas.

No caso brasileiro, porém, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho não são protagonistas no envio de drogas aos Estados Unidos. O foco é a exportação de cocaína para a Europa e outros mercados.

Mesmo assim, o secretário de Estado, Marco Rubio, decidiu pressionar. Em 8 de março, um dia depois de Trump reunir em Washington líderes conservadores latino-americanos para discutir crime e tráfico, Rubio disse ao chanceler brasileiro que o governo Trump pretendia fazer a designação, segundo fontes a par da conversa.

Rubio também pediu ao ministro Mauro Vieira que o Brasil reconhecesse formalmente as facções como grupos terroristas. Vieira respondeu que o governo Lula não tomaria essa decisão, relataram essas fontes.

As declarações foram dadas sob condição de anonimato, devido ao teor sensível das conversas.

Rubio e Vieira devem voltar a se encontrar em uma reunião do G7, na França, nesta sexta-feira. Se tiverem uma conversa reservada, o tema deve retornar à mesa.

O Departamento de Estado ainda não bateu o martelo, e qualquer decisão interna pode ser revertida.

A pasta se recusou a comentar os planos, mas admitiu que as facções brasileiras estão no radar. Em nota, afirmou que os grupos representam “ameaças significativas à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”.

O Palácio do Planalto também não quis comentar a possibilidade de designação pelos EUA.

Um integrante do governo Lula disse que Brasil e Estados Unidos vêm negociando, nas últimas semanas, medidas conjuntas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas ligados às facções. Segundo ele, a iniciativa de Trump de rotular os grupos como terroristas pode comprometer esse diálogo.

Em nota, Flávio Bolsonaro declarou não apoiar “interferência estrangeira” para resolver o problema das facções no Brasil, mas defendeu “cooperação internacional” no tema.

Eduardo Bolsonaro não respondeu aos pedidos de comentário antes da publicação. Depois que a reportagem foi divulgada, enviou uma nota afirmando que sua atuação é “diplomacia parlamentar”, e não lobby. Disse ainda que não buscava ajudar o irmão, mas “ajudar brasileiros comuns”.

Nos bastidores, aliados próximos de Jair Bolsonaro atuam há meses para convencer autoridades americanas de que as facções brasileiras representam uma ameaça direta à segurança e aos interesses dos EUA, segundo duas pessoas com conhecimento das tratativas.

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