As Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), instituição historicamente presidida pelas primeiras-damas do estado e principal braço de assistência social do Governo, enfrentam questionamentos sobre a clareza na divulgação de seus dados financeiros. Sob a gestão de Tatiana Velloso, embora a entidade tenha expandido sua atuação em programas como o "Bahia Sem Fome", o acesso direto e simplificado a relatórios de execução mensal — uma obrigação prevista em contratos de gestão — ainda é um desafio para o cidadão comum.
Por lei e por força dos convênios firmados com secretarias como a de Saúde (Sesab) e a de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), as VSBA devem disponibilizar em seu site institucional comparativos de metas e demonstrativos financeiros detalhados. No entanto, o que se encontra no portal oficial é descrito por especialistas em gestão pública como uma "transparência passiva" ou insuficiente.
Publicidade
Diferente de outros órgãos estaduais que utilizam painéis dinâmicos e dados abertos, a seção de transparência das Voluntárias Sociais muitas vezes apresenta documentos fragmentados ou de difícil localização. A falta de uma atualização em tempo real sobre o destino dos milhões de reais repassados pelo Tesouro Estadual dificulta o controle social.
Os contratos de gestão exigem que a entidade apresente:
- Relatórios mensais de execução: O detalhamento do que foi planejado versus o que foi executado.
- Demonstrativos financeiros: Para onde foi cada centavo do recurso público.
- Indicadores de desempenho: O impacto real das ações em comunidades vulneráveis.
Embora mantenha uma agenda pública intensa e tecnicamente fundamentada, a prestação de contas digital parece não acompanhar o ritmo das redes sociais da instituição. A ausência de mecanismos de busca eficientes dentro do site das VSBA obriga o cidadão a recorrer ao Portal da Transparência do Estado, que, embora contenha os valores globais dos convênios, nem sempre detalha a execução cotidiana da entidade privada.
Somente em parcerias recentes, como a voltada para o fortalecimento de creches, os valores chegam à casa dos R$ 11 milhões. Em um cenário de alto investimento público, a clareza sobre como esses recursos são geridos por uma entidade de direito privado torna-se ainda mais urgente.
A reportagem buscou navegar pelas abas de "Convênios" e "Transparência" do site das VSBA e notou que, em diversos momentos, os documentos disponíveis referem-se a extratos resumidos de editais, deixando lacunas sobre o detalhamento de gastos com pessoal e fornecedores específicos, dados que deveriam ser públicos dado o uso de verba estatal.
Comentários: