A situação política do vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior (MDB), está longe de ser confortável às vésperas do rearranjo das forças que irão compor a chapa majoritária governista em 2026. Sem espaço no projeto eleitoral do PT e já comunicado de que não disputará a reeleição ao cargo que ocupa, Geraldo vê seu futuro político cada vez mais indefinido dentro da base aliada.
Nos bastidores, a alternativa que lhe foi apresentada passa por uma mudança de rota: fazer uma dobradinha com o filho, o deputado estadual Matheus Ferreira, e mirar uma vaga na Câmara dos Deputados. A estratégia seria uma tentativa de manter o capital político da família, diante do evidente esvaziamento do MDB no núcleo duro do governo estadual.
Ainda que os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima tentem preservar o espaço do partido na chapa governista, já é dado como praticamente certo que o MDB deixará a composição majoritária. A tendência é que a sigla seja substituída pelo Avante, partido comandado na Bahia pelo ex-deputado federal Ronaldo Carletto, que vem ganhando musculatura política e proximidade com o Palácio de Ondina.
A pouca importância atribuída pelo PT ao MDB — e, por consequência, ao próprio Geraldo Júnior — ficou evidente já nas eleições municipais de 2024, em Salvador. Na disputa pela prefeitura da capital baiana, o vice-governador teve um desempenho considerado fraco, ficando apenas na terceira colocação, com pouco mais de 137 mil votos, atrás inclusive de Kleber Rosa, candidato do PSOL.
O revés eleitoral expôs fragilidades e reduziu o peso político de Geraldo dentro da aliança governista, reforçando a percepção de que sua permanência em posição de destaque não é prioridade para o PT. Antes de assumir o posto de vice-governador, em 2022, Geraldo Júnior exercia seu terceiro mandato como vereador de Salvador e era aliado direto do então prefeito ACM Neto, hoje um dos principais adversários do grupo petista no estado.
Agora, diante da reconfiguração do tabuleiro político baiano, Geraldo Júnior se vê obrigado a recalcular a rota para não ficar fora do jogo em 2026, em um cenário no qual seu partido perde espaço e sua relevância eleitoral é colocada em xeque.

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