Justiça
Presença de autor de massacre em cinema de São Paulo causa apreensão entre comerciantes e clientes do Shopping Barra, em Salvador
Condenado inicialmente a 120 anos de prisão, Mateus da Costa Meira ficou conhecido nacionalmente após entrar armado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, na capital paulista, onde abriu fogo contra o público

A frequente presença de Mateus da Costa Meira, de 51 anos, no Shopping Barra, em Salvador, tem provocado apreensão entre comerciantes, funcionários e clientes que frequentam um dos centros comerciais mais tradicionais da capital baiana. Condenado pelo massacre ocorrido em 1999 no cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, ele voltou a circular livremente após obter a liberdade por decisão da Justiça da Bahia em 2024.
Condenado inicialmente a 120 anos de prisão, Mateus da Costa Meira ficou conhecido nacionalmente após entrar armado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, na capital paulista, onde abriu fogo contra o público. O ataque resultou na morte de três pessoas e deixou outras nove feridas, em um dos episódios mais violentos já registrados dentro de um centro comercial no Brasil.
Dois anos após deixar o sistema prisional, Mateus passou a frequentar regularmente o Shopping Barra. Segundo relatos de pessoas que trabalham e circulam pelo local, ele costuma ser visto em cafeterias, livrarias e, inclusive, assistindo a sessões de cinema — circunstância que desperta desconforto em parte dos frequentadores, por remeter ao crime cometido há mais de duas décadas.
A presença do ex-detento passou a ser registrada por clientes, que fotografam Mateus e compartilham as imagens em grupos de WhatsApp como forma de alertar amigos e familiares. O assunto também ganhou repercussão nas redes sociais, onde internautas manifestam preocupação com a situação.
Localizado em uma das áreas mais valorizadas e turísticas de Salvador, o Shopping Barra recebe, em média, cerca de 50 mil visitantes por dia. A intensa circulação de pessoas faz com que o caso desperte ainda mais atenção entre consumidores e lojistas.
Até o momento, não há registro de que Mateus da Costa Meira tenha praticado qualquer ato ilícito durante suas visitas ao centro comercial. Sua presença, no entanto, continua gerando inquietação entre parte do público em razão da gravidade do crime pelo qual foi condenado e da forte lembrança que o episódio ainda provoca na sociedade brasileira.
Especialistas em Direito ressaltam que, uma vez cumpridas as determinações da Justiça e estando em liberdade, qualquer cidadão possui o direito de circular livremente pelos espaços públicos e privados de acesso coletivo, desde que respeite as normas legais e não pratique novas infrações.
Enquanto isso, o debate permanece dividido entre o direito à ressocialização assegurado pela legislação brasileira e o sentimento de insegurança experimentado por pessoas que convivem com a presença do autor de um dos mais marcantes massacres da história recente do país.
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