Justiça
Operação mira suspeita de esquema em contratos da Prefeitura de Gongogi e cumpre 33 mandados na Bahia
PF e CGU investigam possível atuação conjunta de agentes públicos e particulares; buscas também ocorrem em Itabuna, Ilhéus, Ipiaú, Valença e outras cidades

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quinta-feira (13), a Operação Severus, que investiga suspeitas de fraudes em contratações públicas envolvendo a administração municipal de Gongogi, no sul da Bahia. Ao todo, estão sendo cumpridos 33 mandados de busca e apreensão em oito municípios baianos.
A nova ofensiva é apresentada pelas autoridades como a segunda fase da Operação Pacto Infame, investigação iniciada para apurar possíveis desvios de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios do município. Nesta etapa, a PF e a CGU buscam aprofundar a apuração sobre a suposta participação conjunta de agentes públicos e particulares vinculados a empresas contratadas pelo poder público.
Os mandados são cumpridos em Gongogi, Itabuna, Ilhéus, Dário Meira, Ipiaú, Ibicaraí, Valença e Eunápolis. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, estão sob apuração suspeitas de direcionamento de licitações, utilização de documentos falsos e simulação de procedimentos administrativos, além da realização de pagamentos por serviços que, em tese, não teriam sido executados ou teriam sido prestados apenas parcialmente.
A investigação também apura possíveis crimes relacionados a desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. A suspeita é de que valores eventualmente desviados tenham sido posteriormente movimentados através de pessoas físicas e empresas com o objetivo de dificultar a identificação da origem do dinheiro.
O caso não começou agora. Em outubro de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Pacto Infame para investigar contratos relacionados à área de engenharia civil em Gongogi. Na ocasião, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Gongogi, Itabuna, Ipiaú e Ibicaraí.
Na primeira fase, a PF informou ter identificado indícios de que diversos processos licitatórios teriam sido direcionados para beneficiar uma empresa sediada em Gongogi. Segundo a investigação, a empresa celebrou quase duas dezenas de contratos e recebeu mais de R$ 7 milhões da Prefeitura de Gongogi no período de quatro anos analisado pelas autoridades.
A Polícia Federal informou ainda, naquela ocasião, que havia elementos indicando que o grupo investigado poderia estar envolvido em fraudes dessa natureza desde 2017, inclusive com possível atuação em outros municípios baianos.
A dimensão da operação realizada agora — com 33 mandados distribuídos por oito cidades — mostra que as investigações avançaram para uma etapa mais abrangente, alcançando novos endereços e buscando esclarecer a eventual participação individual de agentes públicos, empresários e outras pessoas relacionadas aos contratos investigados.
Além das buscas, a decisão judicial autorizou a apreensão de valores em espécie, joias e veículos eventualmente relacionados aos investigados. Também foram determinadas medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores, imóveis, veículos e outros bens até o limite de R$ 2 milhões.
Documentos, computadores, celulares e outros materiais eventualmente recolhidos durante a operação deverão ser analisados pela Polícia Federal e pela CGU. O objetivo é aprofundar a investigação, rastrear os recursos e individualizar a eventual responsabilidade de cada envolvido.
Até o momento, as informações publicamente divulgadas sobre esta fase não representam condenação dos investigados. As suspeitas levantadas pela PF e pela CGU ainda dependem do aprofundamento das investigações e, caso sejam apresentadas acusações formais, da posterior análise pelo Poder Judiciário.
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