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Justiça

MPBA tentou impedir soltura de autor da chacina do Morumbi e alertou para risco à sociedade

Responsável por um dos crimes de maior repercussão da história recente do país, Mateus foi liberado em 2024 após permanecer por mais de duas décadas internado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
MPBA tentou impedir soltura de autor da chacina do Morumbi e alertou para risco à sociedade

O posicionamento adotado pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) em relação à liberação de Mateus da Costa Meira, de 51 anos, voltou ao centro do debate após relatos de que o autor da chacina ocorrida no Morumbi Shopping, em São Paulo, passou a frequentar centros comerciais de Salvador, incluindo salas de cinema.

Responsável por um dos crimes de maior repercussão da história recente do país, Mateus foi liberado em 2024 após permanecer por mais de duas décadas internado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador. Antes da decisão judicial que autorizou sua desinternação, o MPBA manifestou-se formalmente contra a medida, sustentando que ele ainda representava risco para a sociedade e para seus próprios familiares.

Segundo o Ministério Público, os elementos técnicos disponíveis à época indicavam que a desinternação não deveria ocorrer, justamente pela necessidade de preservar a segurança coletiva. O órgão defendeu que a manutenção da medida de segurança era a alternativa mais adequada diante do histórico clínico e criminal do paciente.

Outro aspecto que chamou atenção durante o processo foi a resistência da própria família em recebê-lo. Conforme informações constantes nos autos, inicialmente nem mesmo os pais de Mateus desejavam acolhê-lo após a saída da unidade de custódia, preocupação que também foi considerada durante a discussão sobre sua reintegração ao convívio social.

O massacre

O crime ocorreu em 3 de novembro de 1999, quando Mateus da Costa Meira entrou armado em uma sala de cinema instalada no Morumbi Shopping, em São Paulo, e abriu fogo contra o público que assistia a um filme.

O ataque resultou na morte de três pessoas e deixou outras nove feridas, causando comoção nacional. Posteriormente, ele foi condenado a uma pena inicial de 120 anos de prisão pela prática dos homicídios e das tentativas de homicídio. Em razão de seu quadro psiquiátrico, passou a cumprir medida de segurança em hospital de custódia.

Presença em shopping gera apreensão

Desde sua liberação, moradores de Salvador relatam que Mateus tem sido visto circulando em locais públicos, especialmente no Shopping Barra, um dos principais centros comerciais da capital baiana.

Frequentadores afirmam que ele costuma caminhar pelo shopping e, em algumas ocasiões, entra em salas de cinema, circunstância que provoca desconforto e apreensão entre clientes e lojistas, sobretudo pelo simbolismo relacionado ao crime cometido há mais de duas décadas.

Embora esteja em liberdade por decisão judicial e não haja notícia de novo crime praticado desde sua desinternação, a presença do autor da chacina em ambientes semelhantes ao palco do massacre reacende discussões sobre os critérios adotados para a desinternação de pessoas submetidas a medidas de segurança e sobre o equilíbrio entre o direito à reinserção social e a proteção da coletividade.

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