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FETAG-BA entra na mira da CPMI do INSS por possível envolvimento em esquema bilionário de desvio de recursos públicos

O envolvimento da FETAG-BA — historicamente aliada de figuras políticas do PT — pode gerar desgaste imediato no governo Jerônimo Rodrigues, cuja trajetória é marcada pelo vínculo com movimentos rurais e entidades agrícolas. Aliados do governador tentam minimizar o impacto, enquanto opositores afirmam que o caso expõe fragilidades graves na relação do governo com entidades financiadas por recursos públicos

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
FETAG-BA entra na mira da CPMI do INSS por possível envolvimento em esquema bilionário de desvio de recursos públicos

A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado da Bahia (FETAG-BA) tornou-se alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura o maior esquema de desvio de recursos públicos da história do Brasil — mais de R$ 6 bilhões retirados indevidamente dos cofres da Previdência Social.

Segundo as investigações, a FETAG-BA, considerada braço direto da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e historicamente ligada ao PT e ao governador baiano Jerônimo Rodrigues, teria repassado pelo menos R$ 2,7 milhões a ex-assessores de políticos do PCdoB, levantando suspeitas de uso político e eleitoral dos recursos. Os repasses ocorreram em períodos próximos às eleições de 2022 e 2024, o que reforçou a linha de investigação da CPMI sobre possível “financiamento indireto” de campanhas.

A CONTAG — organização nacional à qual a FETAG-BA é subordinada — está no centro do escândalo. Desde 2016, a entidade recebeu aproximadamente R$ 3,4 bilhões de forma considerada indevida pelos investigadores. Os valores são provenientes de descontos automáticos aplicados sobre benefícios de agricultores aposentados e pensionistas, sem autorização expressa dos segurados.

A FETAG-BA, que reúne cerca de 400 sindicatos rurais em todo o estado, funciona como uma das principais ramificações da CONTAG e é abastecida pelo mesmo mecanismo de desconto: 75% do valor retido fica com os sindicatos locais, enquanto 20% é repassado às federações estaduais. A CPMI suspeita que parte dessa estrutura tenha sido usada para justificar movimentações financeiras atípicas, que teriam beneficiado pessoas ligadas a grupos políticos específicos.

Os investigadores identificaram que a FETAG-BA repassou R$ 2,7 milhões a pessoas próximas de lideranças do PCdoB, partido aliado histórico do PT na Bahia. Entre os beneficiários estariam ex-assessores parlamentares e figuras com atuação política, algumas das quais participaram diretamente de campanhas eleitorais recentes.

A proximidade temporal entre os repasses e os ciclos eleitorais levantou a principal hipótese da CPMI: os valores desviados do INSS podem ter sido utilizados para irrigar campanhas políticas de forma indireta, violando a legislação eleitoral e ampliando o impacto do esquema, que já é avaliado como um dos mais amplos da história previdenciária brasileira.

Com a exposição das suspeitas, a FETAG-BA e a CONTAG tornaram-se alvos prioritários de quebras de sigilo bancário e fiscal solicitadas pelos parlamentares da comissão. A CPMI busca rastrear a origem e o destino dos recursos, além de identificar os responsáveis pela autorização dos repasses.

Parlamentares afirmam que o caso revela uma “estrutura paralela de poder financeiro”, sustentada por descontos compulsórios e repasses automáticos, que teria funcionado por anos sem fiscalização adequada.

O envolvimento da FETAG-BA — historicamente aliada de figuras políticas do PT — pode gerar desgaste imediato no governo Jerônimo Rodrigues, cuja trajetória é marcada pelo vínculo com movimentos rurais e entidades agrícolas. Aliados do governador tentam minimizar o impacto, enquanto opositores afirmam que o caso expõe fragilidades graves na relação do governo com entidades financiadas por recursos públicos.

A CPMI segue aprofundando a investigação e prepara, para as próximas semanas, oitivas com dirigentes da FETAG-BA e da CONTAG. O relatório final deve apontar responsabilidades civis, eleitorais e criminais, além de sugerir mudanças no modelo de descontos associativos aplicados pelo INSS.

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