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Estagiário do INSS é preso na Bahia suspeito de integrar esquema que causou prejuízo de R$ 3,5 milhões

PF identificou 97 benefícios fraudados e aproximadamente R$ 3,5 milhões em pagamentos irregulares; investigação aponta uso indevido de credenciais de servidores dentro de agência do instituto

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Estagiário do INSS é preso na Bahia suspeito de integrar esquema que causou prejuízo de R$ 3,5 milhões

Um estagiário de 21 anos que trabalhava em uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no bairro de Itapuã, em Salvador, foi preso temporariamente nessa terça-feira, (25), durante uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de fraudes em benefícios previdenciários.

Batizada de Operação Representante Ilegal, a ação foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), vinculada ao Ministério da Previdência Social.

Segundo informações oficiais, até o momento foram identificados 97 benefícios fraudados, que teriam provocado pagamentos indevidos de aproximadamente R$ 3,5 milhões. A estimativa das autoridades é ainda mais expressiva: caso as irregularidades não fossem descobertas e os pagamentos continuassem, o prejuízo aos cofres públicos poderia chegar a cerca de R$ 99 milhões.

As apurações começaram há aproximadamente quatro meses, depois que foram identificados acessos e movimentações considerados irregulares nos sistemas do INSS na agência de Itapuã.

De acordo com o Ministério da Previdência Social, as investigações apontaram que estagiários lotados na unidade teriam realizado alterações indevidas nos sistemas corporativos utilizando, inclusive, credenciais de acesso pertencentes a servidores da própria agência.

Entre as práticas investigadas está o cadastramento de pessoas como representantes legais de beneficiários sem conhecimento ou autorização dos titulares dos benefícios.

Esse tipo de alteração é especialmente sensível porque o representante legal pode passar a atuar administrativamente em nome do segurado, criando condições para movimentações relacionadas ao benefício.

Reportagens sobre o caso apontam ainda que os investigadores encontraram indícios de reativação irregular de benefícios anteriormente suspensos, alterações relacionadas à prova de vida e pagamento de valores retroativos. Também teriam chamado a atenção registros envolvendo beneficiários com idade superior a 100 anos.

Além do estagiário, um segundo investigado, de 18 anos, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Ao todo, a operação cumpriu dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em Salvador.

A existência de representantes legais vinculados a benefícios em diferentes estados também levou os investigadores a apurar a possibilidade de que a atuação do grupo não estivesse limitada à Bahia. Essa eventual ramificação interestadual ainda é objeto de investigação.

A Polícia Federal pretende agora identificar outros possíveis integrantes da organização investigada e determinar a dimensão completa dos prejuízos.

Os envolvidos poderão responder, conforme o resultado das investigações, por crimes como estelionato qualificado, associação criminosa e inserção de dados falsos nos sistemas da Previdência Social.

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