Justiça
Braço-direito de Lula e segundo nome mais importante do PT, senador Jacques Wagner é alvo de operação da PF
O foco central desta fase da operação é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e Augusto Lima. A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro do banqueiro

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo Lula no Senado Federal, é um dos alvos de busca e apreensão nesta quinta-feira (18), na 9ª fase da Operação Compliance Zero. Nesta fase, policiais federais cumprem mandados no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia.
A Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master.
O foco central desta fase da operação é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e Augusto Lima. A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro do banqueiro.
Entre as medidas citadas estão a chamada "Emenda Master" e uma proposta legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo possui forte atuação justamente por meio do Credcesta.
Em contrapartida a essa atuação parlamentar, os investigadores suspeitam que Wagner tenha sido beneficiado com:
- Propina: repasses que somariam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de uma empresa ligada ao enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o "Dudu" (secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia), e à nora do senador, Bonnie Toaldo Bonilha.
- Imóvel de luxo: a transação suspeita de um apartamento no Poeme Residence (unidade 1702), localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador — área nobre da capital baiana. O apartamento está avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, segundo a PF.
- Mordomias: o uso frequente de aeronaves particulares e o recebimento de ingressos para shows. Na decisão, consta a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, no valor de mais de R$ 63 mil pagos pela empresa Reag Investimentos em favor da família do senador.
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no apartamento do político, que fica no bairro do Corredor da Vitória, um dos metros quadrados mais caros da capital baiana.
Jaques Wagner nasceu no Rio de Janeiro, mas fez carreira política na Bahia, onde ocupou cargos de deputado federal e governador.
Wagner também ocupou o Ministério do Trabalho no governo Lula (entre janeiro de 2003 e janeiro de 2004) e foi ministro da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Com a crise do "mensalão", em 2005, foi designado Ministro das Relações Institucionais.
Em 2006, Wagner foi eleito governador da Bahia. Ele cumpriu dois mandatos no cargo, entre os anos de 2007 e 2014. Jaques Wagner também foi ministro da Defesa entre janeiro e outubro de 2015 e, em seguida, assumiu a Casa Civil, cargo que ocupou até março de 2016, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Ele também chegou a ser Ministro-Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência em 2016.
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