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Rui Costa diz que "mandou prender quem roubou dinheiro dos respiradores", mas é um dos investigados no caso

O maior prejuízo financeiro ficou para o Estado de Pernambuco, que desembolsou R$ 13,7 milhões. A Bahia, então governada por Rui Costa, registrou perda de aproximadamente R$ 10 milhões, enquanto os demais estados nordestinos também sofreram prejuízos proporcionais às suas participações no contrato

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Rui Costa diz que "mandou prender quem roubou dinheiro dos respiradores", mas é um dos investigados no caso

Uma declaração do ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), voltou a colocar em evidência o escândalo da compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da Covid-19. Ao tentar rebater críticas e atacar o pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, o petista afirmou que a diferença entre ambos é que ele "mandou prender quem roubou o dinheiro".

A fala, entretanto, reacendeu questionamentos sobre a investigação que apura o desaparecimento de R$ 48,7 milhões destinados à compra de 300 respiradores pulmonares, equipamentos que jamais chegaram aos estados nordestinos. O contrato foi firmado em 2020, quando Rui Costa era governador da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste.

A compra foi realizada com pagamento antecipado à empresa Hempcare, que recebeu integralmente os recursos antes da entrega dos equipamentos. Segundo as investigações da Polícia Federal, o dinheiro não foi utilizado para a importação dos respiradores na China e acabou sendo integralmente desviado. Os investigadores apuram crimes como fraude em licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O maior prejuízo financeiro ficou para o Estado de Pernambuco, que desembolsou R$ 13,7 milhões. A Bahia, então governada por Rui Costa, registrou perda de aproximadamente R$ 10 milhões, enquanto os demais estados nordestinos também sofreram prejuízos proporcionais às suas participações no contrato.

Apesar de afirmar que determinou a prisão dos responsáveis pela fraude, Rui Costa continua sendo alvo de investigação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que existem indícios que justificam o aprofundamento das apurações sobre a possível participação do ex-governador no chamado núcleo político do caso. Em junho deste ano, a PGR pediu que o inquérito retornasse ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que há elementos indicando que supostas condutas relacionadas à ocultação ou lavagem dos recursos desviados podem ter se estendido ao período em que Rui já ocupava cargo de ministro de Estado.

O caso ganhou novos desdobramentos após operações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, que ampliaram a investigação sobre o caminho percorrido pelo dinheiro pago à Hempcare. As autoridades também apuram suspeitas de lavagem de recursos por intermédio de terceiros e fundos de investimento.

Desde o início das investigações, Rui Costa nega qualquer irregularidade e sustenta que o Consórcio Nordeste foi vítima de um golpe aplicado pela empresa contratada. O ex-governador afirma ainda que o próprio consórcio acionou os órgãos de investigação assim que constatou que os respiradores não seriam entregues. Em outra frente, o Tribunal de Contas da União (TCU) afastou a responsabilidade administrativa de Rui Costa no processo de tomada de contas, decisão que não impede a continuidade da investigação criminal conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pela PGR.

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