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Popó diz que facções “mandam mais que o governo” na Bahia e cobra investimento no esporte para afastar jovens do crime

Tetracampeão mundial criticou situação da segurança pública no estado, disse que traficantes passaram a ocupar lugar de referência entre jovens e reclamou de dificuldades para realizar grandes eventos esportivos em Salvador

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Popó diz que facções “mandam mais que o governo” na Bahia e cobra investimento no esporte para afastar jovens do crime

O tetracampeão mundial de boxe Acelino “Popó” Freitas fez um duro diagnóstico sobre a violência na Bahia e afirmou que organizações criminosas teriam alcançado tamanho poder em determinadas regiões do estado que, segundo sua avaliação, estariam exercendo influência superior à do próprio poder público.

Durante participação no Flow Podcast, o baiano foi questionado sobre como estava a vida em seu estado natal. Depois de afirmar que a Bahia continua sendo um lugar do qual gosta, Popó rapidamente direcionou a conversa para a criminalidade.

“São três ou quatro facções que mandam na Bahia. As facções mandam mais que o governo.”

A declaração repercutiu justamente pela contundência. Popó também demonstrou preocupação especial com adolescentes e jovens que vivem em comunidades nas quais organizações criminosas mantêm presença.

Para o ex-boxeador, a capacidade de ostentação dos traficantes contribui para transformar integrantes do crime organizado em referências para parte dessa juventude. Ele citou motocicletas, roupas, tênis e correntes como símbolos capazes de despertar admiração em jovens sem outras perspectivas próximas.

Segundo Popó, esse cenário se agrava pela perda de espaços esportivos e de referências positivas dentro dos bairros.

O ex-campeão relembrou um período em que torneios escolares e competições comunitárias permitiam que crianças e adolescentes tivessem como referência o melhor jogador ou atleta da própria comunidade. Hoje, segundo ele, essa identificação estaria desaparecendo.

Na avaliação de Popó, o esporte poderia cumprir papel importante justamente na disputa pela atenção desses jovens.

Apesar do tom particularmente forte empregado pelo ex-boxeador, os indicadores recentes confirmam que a violência continua sendo um dos principais desafios da Bahia.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com informações referentes a 2025, registrou 5.473 mortes violentas intencionais na Bahia, correspondentes a uma taxa de 36,8 vítimas para cada 100 mil habitantes.

Popó afirmou considerar insuficientes os investimentos capazes de transformar o esporte em instrumento permanente de formação e prevenção social.

Ele também mencionou o antigo Ginásio Antônio Balbino, o Balbininho, conhecido historicamente por receber grandes eventos esportivos em Salvador, inclusive combates de boxe, e criticou a cobrança de taxas para utilização de equipamentos destinados à realização de eventos.

Popó então revelou que Salvador chegou a ser considerada como sede do evento no qual enfrentou o humorista Whindersson Nunes, mas afirmou que a cobrança de diferentes taxas teria inviabilizado a realização do combate na capital baiana.

Segundo o tetracampeão, enquanto na Bahia os organizadores teriam que desembolsar recursos para usar a estrutura, em Santa Catarina houve condições mais favoráveis para receber a luta.

O duelo acabou realizado em Balneário Camboriú, em janeiro de 2022, como atração principal do Fight Music Show. Popó dominou tecnicamente o combate, enquanto Whindersson resistiu aos oito rounds; por se tratar de uma luta de exibição, o resultado oficial terminou empatado.

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