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Lula diz que Lulinha terá de pagar se for culpado e admite: “Só ele sabe a verdade”

Presidente afirma acreditar no filho, mas diz desconhecer o que efetivamente aconteceu e defende continuidade das investigações

Por Redação Diário Paralelo4 min de leitura
Lula diz que Lulinha terá de pagar se for culpado e admite: “Só ele sabe a verdade”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira, (14), que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deverá ser responsabilizado caso as investigações em andamento comprovem a prática de irregularidades.

Em entrevista ao podcast Não Inviabilize, Lula afirmou acreditar na versão apresentada pelo filho, mas fez uma ressalva significativa: disse que não conhece pessoalmente a verdade sobre os fatos investigados.

“Se meu filho tiver culpa, ele pagará. [...] Só ele sabe a verdade, eu não sei”, declarou o presidente.

Lula também afirmou ter orientado os advogados de Fábio Luís a não solicitarem o encerramento das investigações. Segundo o presidente, seu filho deve enfrentar os inquéritos e apresentar sua defesa às autoridades.

O petista declarou que acredita em Lulinha, que nega ter cometido irregularidades, mas afirmou que não pretende utilizar sua posição institucional para interferir nas apurações. Lula ainda evitou fazer avaliações sobre a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que uma manifestação presidencial sobre o trabalho dos investigadores poderia representar um juízo de valor sobre instituições do Estado.

Fábio Luís é atualmente investigado em três inquéritos no Supremo relacionados a suspeitas de tráfico de influência. Dois estão sob responsabilidade do ministro André Mendonça e um tem como relator o ministro Flávio Dino.

Uma das linhas investigativas envolve suspeitas de que Lulinha tenha atuado juntamente com a empresária Roberta Luchsinger em favor de interesses empresariais relacionados ao mercado de cannabis medicinal e contatos com integrantes do poder público.

A Polícia Federal também apura relações entre pessoas próximas ao filho do presidente e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pelos investigadores como personagem central das apurações envolvendo descontos irregulares realizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.

Segundo reportagem da Reuters publicada no fim de julho, uma das suspeitas investigadas é de que Fábio Luís possa ter auxiliado interesses empresariais no acesso a integrantes do Ministério da Saúde em negociações relacionadas a medicamentos à base de canabidiol. A existência da investigação, contudo, não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas nem representa condenação do filho do presidente.

A defesa de Fábio Luís afirma que ele não possui relação direta ou indireta com irregularidades e diz confiar no esclarecimento dos fatos durante as investigações. Os advogados também têm criticado o que classificam como vazamentos seletivos de informações relacionadas aos procedimentos.

Em relação à viagem de Lulinha a Portugal em 2024, a defesa já reconheceu anteriormente que despesas foram pagas por Antônio Carlos Camilo Antunes. Os advogados sustentam, porém, que Fábio Luís viajou como convidado para conhecer um projeto relacionado a medicamentos à base de canabidiol e que não participou de negociações, investimentos ou sociedade envolvendo o empreendimento.

A fala de Lula chama atenção não apenas pela defesa das investigações, mas pela forma como o presidente separou sua convicção pessoal daquilo que efetivamente conhece sobre os fatos.

Ao afirmar que acredita no filho e, imediatamente depois, reconhecer que “só ele sabe a verdade”, Lula evita assumir publicamente a inocência de Fábio Luís como um fato. Ao mesmo tempo, busca transmitir a mensagem de que não haverá proteção presidencial caso sejam encontradas provas de irregularidades.

A posição também oferece ao presidente uma linha política diante de qualquer desdobramento futuro: se as investigações forem arquivadas ou não encontrarem elementos suficientes, Lula poderá sustentar que o filho enfrentou as apurações; se forem encontradas provas, sua declaração desta sexta-feira registra previamente que defendeu responsabilização.

Agora, porém, a conclusão caberá às instituições responsáveis pelos inquéritos. Até que as investigações produzam provas e eventuais decisões judiciais, as acusações contra Fábio Luís permanecem no campo das suspeitas investigadas, devendo ser preservada a presunção de inocência.

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