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EUA voltam a discutir novas sanções contra Alexandre de Moraes
Ministro do STF chegou a ser enquadrado na Lei Magnitsky em 2025, mas punições foram retiradas meses depois; controvérsia envolvendo liberdade de imprensa teria ajudado a reabrir discussão em Washington

O governo dos Estados Unidos voltou a discutir a possibilidade de impor sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada neste domingo, (16), pelo jornal britânico Financial Times, que ouviu pessoas familiarizadas com as discussões dentro do governo americano. A informação também foi repercutida pela agência Reuters.
Até o momento, porém, não há anúncio de uma nova punição contra o magistrado. A reportagem trata de discussões internas no governo do presidente Donald Trump sobre uma eventual retomada das medidas.
Moraes já foi alvo de uma das mais duras sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra uma autoridade brasileira. Em julho de 2025, o Departamento do Tesouro incluiu o ministro na lista da Lei Global Magnitsky, mecanismo utilizado pelo governo americano para atingir estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou corrupção.
Na ocasião, o governo dos EUA acusou Moraes de autorizar detenções arbitrárias, restringir a liberdade de expressão e promover processos politicamente motivados. O ministro também foi criticado por Washington por decisões direcionadas a plataformas digitais e pessoas que vivem em território americano.
As medidas foram ampliadas em setembro de 2025, quando o Departamento do Tesouro também sancionou Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa ligada à família.
O cenário mudou meses depois. Em 12 de dezembro de 2025, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos, a OFAC, retirou oficialmente Alexandre de Moraes, Viviane e o instituto da relação de pessoas e entidades atingidas pelas sanções da Lei Magnitsky.
Segundo o Financial Times, a atenção do governo americano sobre Moraes teria sido renovada, em parte, por um episódio que provocou novo debate sobre liberdade de imprensa no Brasil.
Moraes autorizou medidas de busca no âmbito de uma investigação relacionada a reportagens publicadas pelo jornalista maranhense Luís Pablo sobre o ministro do STF Flávio Dino e integrantes de sua família. Pessoas apontadas como possíveis fontes do jornalista também foram alcançadas pela investigação.
O episódio provocou questionamentos sobre a proteção constitucional ao sigilo da fonte jornalística. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, organização internacional dedicada à liberdade de imprensa, repercutiu o caso e manifestou preocupação com medidas destinadas a identificar fontes de reportagens.
Moraes, por sua vez, argumentou que as informações investigadas teriam sido obtidas e divulgadas de maneira ilegal e poderiam colocar em risco a segurança de familiares de Flávio Dino, segundo o Financial Times.
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