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Caos na saúde de Itamari faz hospital municipal ser rebaixado para unidade de saúde

O fechamento do prédio principal do hospital para reforma ocorreu logo no início do primeiro mandato de Dr. Tom, em 2021

Por Redação Diário Paralelo3 min de leitura
Caos na saúde de Itamari faz hospital municipal ser rebaixado para unidade de saúde

A saúde pública no município de Itamari, vive um dos seus períodos mais críticos. O que antes era o Hospital Municipal São Lucas passou por um severo processo de rebaixamento institucional. O local perdeu o status de hospital geral e foi reduzido, na prática, a uma unidade de atendimento básico e ambulatorial. Na rotina da população, a mudança se traduz em um impacto severo: moradores que necessitam de intervenções cirúrgicas, partos ou internamentos de urgência não contam mais com suporte local de alta complexidade. Agora, o paciente grave precisa ser estabilizado e transferido às pressas para cidades vizinhas, como Jequié ou Santo Antônio de Jesus.

A descaracterização do hospital acentua o principal paradoxo da atual gestão: o prefeito da cidade, Everton Vasconcelos, conhecido popularmente como Dr. Tom, é médico pediatra de formação. Apesar de carregar a medicina em seu histórico profissional e no próprio slogan político, a saúde se tornou a área mais problemática e alvo de constantes reclamações em Itamari.

O fechamento do prédio principal do hospital para reforma ocorreu logo no início do primeiro mandato de Dr. Tom, em 2021. Desde então, o cronograma de obras enfrenta um cenário de lentidão crônica e paralisações repetidas. O canteiro de obras arrasta-se há mais de cinco anos, gerando protestos frequentes dos moradores devido à falta de uma estrutura central de pronto-socorro operacional.

Nesse intervalo de meia década, os atendimentos ambulatoriais básicos foram temporariamente remanejados para o Multicentro de Saúde Zacarias Ribeiro e outras salas da rede municipal. Enquanto a promessa de reabertura da ala reformada é sucessivamente adiada para o final de cada ano fiscal, o orçamento da obra é fragmentado em contratos menores e aditivos de engenharia. A falta de uma planilha consolidada e de transparência centralizada nos portais públicos municipais dificulta o controle social sobre o montante exato já injetado na estrutura ao longo de todos esses anos.

Enquanto o maior patrimônio de saúde do município permanece cercado por tapumes e operando de forma reduzida, as prioridades financeiras da gestão municipal entram na mira de questionamentos populares e da oposição. Desde que assumiu o governo local em 2021, o prefeito mantém uma agenda robusta de eventos festivos anuais de grande porte, com destaque para as comemorações tradicionais de São Pedro.

Mesmo diante do quadro deficitário da saúde e do atraso de cinco anos na reestruturação do Hospital São Lucas, a prefeitura investe anualmente milhares de reais na contratação de atrações de renome nacional e na montagem de megaestruturas para os festejos de rua, promovendo eventos como o "São Pedro de Itamari". Para parte dos moradores, o contraste entre os palcos iluminados das festas e as portas fechadas do hospital expõe uma profunda inversão de prioridades na aplicação do dinheiro público da cidade.

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