Esportes
Lula quer usar dinheiro público para ajudar times endividados
Presidente diz ter pedido à Caixa estudo para renegociação de dívidas, mas atribui crise financeira de equipes à má administração e cobra mudanças na gestão

O presidente Lula revelou ter sugerido à Caixa Econômica Federal a criação de uma espécie de “Desenrola dos clubes”, destinado a auxiliar equipes brasileiras mergulhadas em dívidas. A eventual ajuda, porém, viria acompanhada de condições: o petista defende que o programa seja seletivo e critica clubes que gastam além de sua capacidade financeira, especialmente com salários elevados de jogadores.
A declaração foi dada em entrevista à Record no domingo (23). Até o momento, entretanto, não há um programa formalmente anunciado pela Caixa nem regras definidas para a renegociação. O que existe é uma proposta apresentada pelo presidente para que o banco estude um modelo de recuperação financeira semelhante aos programas de renegociação de dívidas já utilizados pelo governo.
Segundo Lula, o problema financeiro dos clubes brasileiros não pode ser atribuído apenas às dívidas acumuladas. Para o presidente, parte significativa da situação decorre de administrações deficientes e de despesas que não correspondem à realidade econômica das próprias equipes.
“Vamos pensar em fazer um Desenrola para os clubes de futebol, porque estão todos quebrados”, afirmou Lula. Ao explicar a proposta, acrescentou que a medida deveria ser seletiva e associou a crise à má administração e aos altos salários pagos no futebol.
Torcedor declarado do Corinthians, Lula utilizou justamente o clube paulista para exemplificar o problema.
O Corinthians encerrou 2025 com dívida bruta de aproximadamente R$ 2,72 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 2,08 bilhões estavam vinculados ao clube e R$ 642 milhões ao financiamento da Neo Química Arena, segundo números do balanço daquele exercício. O clube também registrou déficit superior a R$ 143 milhões no ano.
Durante a entrevista, Lula questionou publicamente a evolução do financiamento do estádio e cobrou maior transparência sobre a formação da dívida corintiana.
“O Corinthians tem que provar à sociedade essa dívida dele, que é interminável. Onde é que está o erro? Quem errou? Quem não pagou?”, afirmou.
O presidente também declarou não ser contrário a uma eventual intervenção no clube caso exista fundamento jurídico e sejam comprovadas irregularidades.
Outro ponto da entrevista foi a crítica aos salários praticados no futebol brasileiro.
Na avaliação de Lula, alguns clubes comprometem receitas futuras para manter folhas incompatíveis com sua situação financeira. A crítica coloca no centro da discussão um problema recorrente no futebol nacional: equipes altamente endividadas continuam disputando jogadores, realizando contratações e assumindo novas obrigações enquanto renegociam passivos anteriores.
O presidente também demonstrou incômodo com a crescente dependência de determinados segmentos para financiar o futebol, citando empresas de apostas e até plataformas de conteúdo adulto.
“Como é que a gente vai permitir isso num futebol que é coisa do povo brasileiro? Que as crianças estão assistindo?”, questionou Lula.
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