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Cacauicultores voltam a protestar em Itamarati e cobram ações contra importação de cacau africano
A insatisfação dos produtores aumentou ainda mais após declarações do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, feitas durante agenda oficial no município de Gandu. Na ocasião, o chefe do Executivo estadual afirmou que estavam “iludidos” os produtores que acreditavam que o cacau se manteria no patamar de R$ 1 mil a arroba, valor registrado entre os anos de 2023 e 2024

Produtores de cacau voltaram a protestar na manhã desta quarta-feira (04), no distrito de Itamarati, no município de Ibirapitanga, no sul da Bahia. A manifestação ocorre menos de quinze dias após um primeiro ato realizado no mesmo local, no último dia 25 de janeiro, e tem o mesmo objetivo: pressionar os governos federal e estadual a adotarem medidas contra a importação de cacau africano, apontada pelos produtores como a principal causa da queda brusca nos preços do produto brasileiro.
Durante o protesto desta manhã, os cacauicultores bloquearam um trecho da rodovia que corta o distrito, impedindo a passagem de veículos nos dois sentidos. A interdição gerou transtornos para motoristas e moradores da região, mas, segundo os organizadores, foi necessária para chamar a atenção das autoridades para a crise enfrentada pelo setor.
De acordo com os produtores, a entrada do cacau importado tem provocado uma forte desvalorização do produto nacional, com reflexos diretos na renda dos agricultores, especialmente os pequenos e médios. Muitos afirmam que os custos de produção já não são cobertos pelos preços atualmente praticados no mercado, o que ameaça a sustentabilidade da atividade em diversas regiões cacaueiras da Bahia.
As mobilizações têm se intensificado nas últimas semanas. No dia 28 de janeiro, cacauicultores de diferentes municípios se reuniram em Ilhéus, onde realizaram uma grande manifestação, reunindo produtores, entidades representativas e lideranças do setor. O ato reforçou o pedido por políticas públicas que garantam maior proteção à produção nacional e mecanismos de regulação das importações.
A insatisfação dos produtores aumentou ainda mais após declarações do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, feitas durante agenda oficial no município de Gandu. Na ocasião, o chefe do Executivo estadual afirmou que estavam “iludidos” os produtores que acreditavam que o cacau se manteria no patamar de R$ 1 mil a arroba, valor registrado entre os anos de 2023 e 2024. A fala repercutiu negativamente entre os cacauicultores, que interpretaram a declaração como desconsideração diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.
Os manifestantes cobram diálogo e ações concretas, como a revisão das políticas de importação, incentivos à produção local e medidas emergenciais para conter a queda dos preços. Eles afirmam que novas mobilizações não estão descartadas caso não haja respostas efetivas por parte dos governos federal e estadual.
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